Grafitando a alegria da Grécia

 

Gente, eu juro, assim que eu li essa matéria na Folha.com eu quis gritar extremamente alto.

 

Folha.com


27/12/2010 – 16h16

Prefeitura cobre pilastras do Minhocão com tinta; grafites já apareceram novamente

FLÁVIA MANTOVANI
OCIMARA BALMANT
DE SÃO PAULO

Do alto da escada, máscara no rosto e mangueira de água na mão, o homem avisa: “Estou aqui todo dia, faça chuva ou faça sol. Fui contratado para deixar esses pilares sem pichação nenhuma”. Ele é funcionário da GMR Construções e Empreendimentos, contratada pela prefeitura para reformar toda a extensão do Minhocão.

Ao preço de R$ 990 mil, a empresa vai desentupir as saídas de água, trocar as tampas dos bueiros e, o mais difícil, entregar limpos e pintados os 92 pilares dispostos nos 3,4 km de comprimento do elevado.

Apu Gomes/Folhapress
Grafites feitos nas pilastras do Minhocão já começaram a ser cobertos de tinta, alguns já não podem ser vistos
Grafites feitos nas pilastras do Minhocão já começaram a ser cobertos de tinta, alguns já não podem ser vistos

Apagar os grafites das duas faces de todos as pilastras e cobrir tudo de cinza tem sido uma tarefa ingrata. Apesar da tinta antipichação, que permite a retirada usando apenas sabão e água, novos grafites teimam em reaparecer. Há alguns dias, quando boa parte das pilastras da avenida São João já estava pintada de cinza, os funcionários se surpreenderam.

“Chegamos numa segunda-feira e uma meia dúzia de pilares já estava pichada outra vez”, conta Gil Marchi, diretor da GMR. A saída foi negociar com os artistas. “Pedimos uma trégua. A gente sabe que não vai parar limpo, mas explicamos que era nosso trabalho e que precisávamos terminar.”

Por ora, o acordo tem sido respeitado, mas a GMR diz que não vai apagar os novos desenhos. “Tiramos um para testar a tinta antipichação. Os outros permanecem. Se ficarmos apagando, e eles desenhando por cima, nunca entregaremos a obra”, diz Marchi.

Quem entende do assunto confirma a previsão. Felipe Yung, artista conhecido como Flip e que assina grafites espalhados pela cidade, acredita que não há como impedir a arte feita nas ruas. Ao contrário: para ele, a proibição estimula. “A censura inibe inicialmente, mas faz com que surjam novas formas, novos locais”, diz.

Conhecido como Cranio, Fábio Oliveira, 28, tem mais de 15 grafites de sua autoria distribuídos por todo o elevado. Ou melhor, tinha: “Passei lá no último sábado e vi que estava tudo apagado”, conta ele, que, inconformado, pintou mais um dos seus típicos índios azuis por cima da tinta nova.

“O cinza é muito triste. Essa ação não tem como impedir a arte.” Segundo Fábio, que já teve seus trabalhos expostos em Paris, os moradores da região aprovavam o grafite. “Todo mundo adorava. Aquilo tem vida.”

Um trabalho seu na praça Roosevelt também foi apagado. “Eles dizem que vão revitalizar uma região, mas só pintam [os grafites] e fica nisso.”

No caso do Minhocão, moradores e uma ONG de grafiteiros conseguiram que a prefeitura reservasse um espaço para as intervenções. Depois do fim das obras, quatro pilares próximos à rua Marquês de Itu e outros três nas redondezas da rua General Jardim serão reservados para os grafiteiros.

Para blogueira, ação pode ser positiva

A publicitária Cleo Kesslan, que mora perto do elevado, criou, no fim de 2008, o blog Museu do Minhocão, em que registra os grafites do local. Ela acredita que a limpeza é necessária e pode tornar as pilastras uma tela em branco para o grafite, que se renovaria de tempos em tempos.

Por que você criou o blog?
Sou amante do grafite, mas ele não dura para sempre, some. Pensei: vamos criar um museu. O Minhocão é feio, traz transtornos, mas consigo ver beleza nele.

O que acha da pintura?
Com o tempo, a sujeira aparece, é muita poluição, e tem que limpar. Mas teriam que fazer um acordo com os grafiteiros. Se eles lavassem apenas de três em três meses, por exemplo, esses grafites iriam se renovar. Seria maravilhoso.

Acha que o elevado deve ser demolido?
Se o Kassab quiser demolir, ok, mas eles poderiam deixar os pilares, fazer um mutirão, dar tintas para os grafiteiros. Sou pela revitalização. Por que não trabalhar junto com o pessoal que faz a cidade ficar mais bonita?

 

A matéria está na íntegra aqui, mãns este é o link.

 

 

Índio Azul na loja Endossa na Augusta 😀

Primeiro: a grande alegria da minha madrugada chuvosa e sem graça foi descobrir o nome do artista que faz o índio azul, que habita os muros por aí. O nome é Crânio e este é um índio dele.(Daqueele lado)

Segunda grande alegria da minha: Quez dizer, não é exatamente alegre o fato que vão pintar os pilares maravilhosos do Minhocão (ironia mode on) de cinza, e sim essa afirmação:  “”O cinza é muito triste. Essa ação não tem como impedir a arte.” Segundo Fábio, que já teve seus trabalhos expostos em Paris, os moradores da região aprovavam o grafite. “Todo mundo adorava. Aquilo tem vida.”” meldels, cinza queridinha, é só concreto armado (e até este tem de outras cores) e os bonitinhos executivos da Paulista e da Berrini. Fora isso, na boa, uma cidade cinza (calma meu amor, não vamos jogar cor em qualquer bosta ok Ruy? – se vc não entendeu clique aqui)… cara esqueci o que eu ia escrever ¬¬… então uma cidade cinza, aliás, muros cinzas não transmitem alegria. Ah, ainda posso acreditar em qualidade de vida numa grande cidade? Ninguém vai rir de mim? Ok, obrigada. De qualquer forma, a cor ainda é um elemento que dá vida a qualquer coisa.

Na mesma afirmação ainda: Sim, também acho muito dygno o fato de proibição atrair o grafite. Ah, não é como dizem por “tudo que é proibido é mais gostoso” e mais, isso acaba gerando uma certa tensão e uma vontade comum de ir contra o sistema opressivo e bla bla bla e vamos acabar com essa falsa liberdade de expressão e bla bla bla.

 

A outra coisa que alegrou a minha madrugada foi a posição da blogueira em relação à decisão da prefeitura. Achei demais mesmo! Quis gritar mais alto ainda, pois essa percepção de que ao pintar o muros de cinza temos novamente uma tela em branco, é simplesmente FANTÁSTICA! No princípio achei essa atitude da prefeitura extremamente tosca, mas olhando por esse ponto de vista, achei maravilhosa!

Contudo (hehehe), tem aquele detalhe…  acho que a prefeitura tem mais o que fazer do que gastar o dinheiro tentando pintar os muros de cinza… eu sei que existe uma fatia da verba para cada ação, mas analisando Sâo Paulo como uma cidade com milhões de deficiências, essa fatia que está sendo mal utilizada, poderia pagar por exemplo as calçadas de tantas ruas por aí… sei lá, é o que eu acho.

 

Um beijinho!


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